Pequenos nadas
Uma prática para levarmos para 2026 (e para a vida)
Uma coisa legal que fizemos neste ano aqui na Oceano foi o “Imagine”, um podcast que surgiu a partir da ideia de abrir conversas sobre o trabalho e os temas que se relacionam com isso: saúde mental, maternidade, precarização, redes sociais, aposentadoria… Nesse espaço, Isabella e eu conversamos com pessoas maravilhosas que nos ensinaram um tanto!
No último episódio desta primeira temporada, nossa amiga Flávia Kolchraiber nos contou sobre uma prática que ela aprendeu com o antropólogo Tião Rocha: os pequenos nadas.
O tema da nossa conversa era sentido (ou o esvaziamento dele no contexto de trabalho atual). Para não cairmos naquele clichê cruel de supervalorizar a ideia de que o trabalho precisa ter significado, nosso papo transitou também pela importância das ações, aparentemente banais, e que podem encher a vida de “utilidade”.
“A vida é tão maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição, é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e utilitária.”
Amo essa simplicidade com que Ailton Krenak, autor da frase acima, quebra nossa mente tarefeira, sintoma tão comum da sociedade ocidental. A ideia dos “pequenos nadas”, que Flávia aprendeu com Tião Rocha, é exatamente esta: “Aquilo que parece que é um nada, mas tem uma potência de transformação. Gestos, falas e agradecimentos mudam a nossa experiência.”
Isabella e eu temos uma nova piada interna, pensar quantas pessoas morreriam de tédio com a nossa vida. Nós amamos uma rotinazinha: dormir cedo, ir para a academia de manhã, arrumar a casa, trabalhar, andar pelo bairro… cheias de tarefas, mas sem muitas emoções intensas. Não fazemos grandes viagens o tempo todo e nosso trabalho não é tão glamouroso. Não estamos salvando vidas, fazendo negociações pelo fim das guerras ou zerando a fome do país. Como boa sagitariana, minha mente já transitou por todos esses cenários, passei um tempo considerável idealizando um trabalho notável e, aos poucos, a vida foi me ensinando a encontrar essa “utilidade” no cotidiano.
Fruição: palavra bonita que o Krenak usa para definir o sentido da vida. Poderíamos traduzir isso também como os pequenos nadas da Flávia e do Tião. Para nós, humildes mortais que não estamos salvando o mundo, há um cotidiano inteiro acontecendo, cheio de oportunidades para nos salvar.
Eu, por exemplo, amo bater papo com as pessoas do bairro, ouvir os casos da minha amiga que faz o cafezinho coado lá na PUC e oferecer um chocolatinho para as mulheres que me atendem no caixa do mercado. A Flávia contou no podcast que adora elogiar o trabalho das pessoas. A Alessandra Granato nos escreveu para dizer sobre um projeto no Canadá chamado “Fale com um estranho”, que busca trazer consciência para o tema da solidão. Isabella, nunca vou me esquecer, quando foi tomar vacina da Covid levou pão de mel para as pessoas trabalhadoras daquela unidade do SUS.
Pequenos (grandes) nadas, que fazem da vida fruição, não nos pedem um diploma ou trabalho grandão, só um tiquinho de atenção:
Aspiro de coração que seu natal seja cheio de oportunidade para exercitar grandiosos pequenos nadas, que você possa experimentar essa conexão infinitas vezes em 2026 e, nem que seja por momentos breves, fazer da vida uma fruição.
Isabella e eu desejamos daqui um natal muito feliz! Até 2026!
Nathália






Que bonito texto, que linda prática. Um ano cheio de pequeno nadas pra gente ♡
Que presente! 2026 cheinho de grandiosos nadas desejo a vocês! E que o Natal seja alegre e leve junto aos que vocês amam.🌎🫂